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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Filme: As Horas - "o que significa arrepender-se quando não se tem escolha?"

Olá! Escrevo abaixo algumas das minhas percepções sobre este incrível filme protagonizado por Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep, um longa americano de 2002, dirigido por Stephen Daldry, baseado no livro "As horas", de Michael Cunningham. 
Laura Brown é uma dona de casa grávida e já mãe de um menino que mora em Los Angeles, no período pós-primeira guerra mundial, em 1951. No decorrer do filme, ela planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro Mrs. Dalloway.
Uma das cenas mais interessantes do filme é a conversa que Laura tem com uma amiga sua, provavelmente também sua vizinha de bairro, Kitty. Laura é criticada por não conseguir fazer um bolo de maneira satisfatória, coisa que “qualquer mulher consegue fazer”, segundo Kitty.
Logo elas começam a conversar sobre seus maridos, pois o motivo do bolo é o aniversário de Dan, marido de Laura. Ela parece necessitar dizer para si mesma que ele é um bom marido e que ela deveria ter a felicidade plena. O fato de os maridos terem voltado da guerra – e que, portanto, sofreram com as dificuldades que passaram – faz com eles as mereçam, e tudo aquilo que os rodeia.
Será que para Laura, então, se seu marido nunca houvesse estado na guerra, ele não merecia a vida que tinha? Ou será que o que ele não merece é ter a vida de Laura por inteira?
Querer não é mais importante para ela, que simplesmente aceita que estar casada é assim. Tem uma função, que é cuidar de alguém que merece tudo que tem, e fazê-lo feliz.
A personagem está lendo o livro de Virginia Wolf, “Mrs. Dalloway”, cuja protagonista, segundo ela, por ser uma anfitriã muito confiante, todos pensam que ela está bem. Assim como Laura, que na verdade não precisa ser feliz – mesmo que seu marido também tenta essa intenção – mas precisa demonstrar uma postura confiante de que é, para que os outros pensem que ela está bem.
No final, Laura define como “ter sorte” a vontade tão grande de Mrs. Dalloway  em ter um filho. “você quis tanto um filho. É uma mulher de sorte.”
A personagem nos dá a entender que querer construir uma família não é uma opção, e que quando uma mulher quer realmente isso para sua vida, ela tem sorte. Caso contrário, viverá uma vida indesejada, talvez até o fim, ou talvez não agüente, e não lhe reste outra opção que não seja abandonar tudo, mesmo que isso envolva não viver: “tem momentos em que você não se sente parte ( da condição de mulher que é imposta) e pensa que precisa se matar”. Laura tenta se matar, mas opta por simplesmente fugir e deixar tudo para trás.
Dessa decisão, não existe arrependimento, pois não havia outra opção para ela: “o que significa arrepender-se quando não se tem escolha?”

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